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Nos seminários que ministro, freqüentemente me perguntam
a respeito da diferença entre gás e vapor:
Dizer que um determinado gás está na fase gasosa ou
na fase vapor é a mesma coisa?
E
sempre respondo:
Não! Apesar de parecidos, os significados não são
os mesmos e dependem de um referencial de temperatura.
Essa
confusão deve-se às similaridades entre ambos os estados.
Tanto na fase gasosa como na fase vapor, as moléculas superaram
a atração mútua que as mantinham no estado
líquido, aumentando muito a distância entre elas, de
forma que o volume ocupado pela mesma massa de moléculas
passa a ser centenas de vezes maior. Por esta razão, o gás
e o vapor apresentam densidades e viscosidades muito baixas em relação
ao líquido.
Outra
similaridade entre as fases gasosa e vapor é que suas moléculas
ocupam todo o volume do recipientes que as contém, pois seu
movimento é livre, sendo limitado apenas pelas colisões
com outras moléculas ou com as paredes do recipientes.
Até
aqui o comportamento de gases e vapores é similar e, portanto,
poderia nos levar a crer tratar-se de sinônimos. Vejamos agora
as diferenças.
A
denominação de vapor é dada quando o fluido
estiver submetido a uma temperatura na qual o vapor possa coexistir
com sua fase líquida mediante apenas uma condição
de pressão, temperatura esta portanto abaixo da sua temperatura
crítica. Neste caso, as variações da pressão
causarão a condensação do vapor em líquido
ou a vaporização do líquido em vapor.
Já
os gases em fase gasosa estão submetidos a uma temperatura
na qual não poderão se liqüefazer apenas sob
pressão, não importando quão elevadas elas
sejam. Isso porque sua temperatura é superior à temperatura
crítica, ou seja, a temperatura acima da qual eles não
podem existir na fase líquida.
Conclusão:
os conceitos de fase gasosa e fase vapor estão relacionados
à uma temperatura de referência em relação
à temperatura crítica do fluido. Ou seja, o mesmo
fluido pode estar no estado gasoso ou no estado de vapor, dependendo
da temperatura considerada, acima ou igual / abaixo da temperatura
crítica, respectivamente.
Por
exemplo, as fases líquida e vapor do GLP podem coexistir
dentro de um recipiente, nas temperaturas ambientes, mediante apenas
uma determinada condição de pressão, chamada
pressão ou tensão de vapor para aquela temperatura.
Se, neste recipiente, a fase vapor for comprimida, parte dela irá
se liqüefazer mantendo sua tensão de vapor naquela temperatura.
Por outro lado, se a fase vapor for descomprimida parte da fase
líquida irá se vaporizar buscando a manutenção
de sua pressão de vapor para a respectiva temperatura. Portanto,
nas temperaturas ambientes, o GLP que se vaporizou está na
fase vapor e não na fase gasosa. Note que, evidentemente,
as temperaturas críticas das principais frações
do GLP estão acima das temperaturas encontradas na atmosfera,
a saber: n-butano, 152,0ºC; propano, 96,8ºC.
Agora
se considerarmos o mesmo GLP, porém a 300ºC, ele não
mais estará na fase vapor e sim na fase gasosa, pois encontra-se
acima da temperatura crítica e não poderá ser
condensado apenas por elevação da pressão,
por maior que ela seja.
Já
o metano, o oxigênio, o nitrogênio e o argônio
são considerados gases (e não vapores) nas temperaturas
ambientes porque não podem ser liqüefeitos apenas
por elevação da pressão, por maiores que sejam
tais pressões. Sua liqüefação só
será possível mediante a redução da
temperatura, a partir do ponto que atinja sua temperatura crítica,
valores esses muito abaixo das temperaturas encontradas na atmosfera.
Por
exemplo, a temperatura crítica do metano é -82,1ºC.
Acima desta temperatura não é possível liqüefazer
o metano apenas por elevação da pressão e,
nestas condições, o metano é considerado gás.
Mesmo na temperatura de -82,1ºC, o metano só estará
no estado líquido se submetido simultaneamente à pressão
mínima de 4 640 kPa absoluta (673,3 psia = 658,6 psig = 45,4
bar), chamada pressão crítica. Para manter o metano
no estado líquido, na pressão atmosférica,
seria necessário baixar sua temperatura a -161,49ºC.
Assim, a manutenção do metano em fase líquida
entre as temperaturas de -82,1ºC e -161,49ºC só
seria possível mediante combinações entre temperatura
x pressão.
Se
agora consideramos um tanque criogênico com metano a -160ºC,
poderá haver a coexistência das duas fases: líquida
e vapor.
Assim,
metano, gás natural, ar, monóxido de carbono, oxigênio,
nitrogênio, argônio, nas temperaturas ambientes, estão
muito acima de suas temperaturas críticas sendo portanto
considerados gás.
E
amônia, propano, propeno, butanos, butenos, GLP, propadieno,
butadieno apresentam fase vapor nas temperaturas ambientes.
Bibliografia
AGA
Gas Handbook, editado por Kersti Ahlberg, Lidingö, Suécia,
1985.
A
determinação da vazão de um gás ou de
um líquido através de válvulas é uma
necessidade freqüente durante o projeto de sistemas de fluidos.
Os
fabricantes normalmente informam, em seus catálogos técnicos,
os coeficientes de vazão das suas válvulas conhecidos
como "CV",
o qual é usado nos cálculos de dimensionamento ou
de verificação.
Esse
coeficiente foi definido com base na vazão de água.
Assim, "CV"
é o número que exprime a vazão, em galões
norte-americanos por minuto (GPM), de água na temperatura
de 70º F (21,1ºC), fluindo através de uma válvula
com uma perda de pressão de 1 psi.
Vazão
de Líquidos
As
fórmulas recomendadas pelo "Fluid Controls Institute"
para os cálculos das vazões de líquidos são:
(1)
QG
= CV
(DP / D)1/2
(2)
CV
= QG
(D / DP)1/2
(3)
DP = (QG2
. D) / Cv2
onde:
QG
: vazão em GPM (1 GPM = 3,7854 litros/min)
CV
:
coeficiente de vazão (informado pelo fabricante)
DP : perda de pressão entre a entrada e a saída
da válvula (psi)
D : densidade do líquido na temperatura de trabalho em relação
à densidade da água a 70ºF (21,1ºC)
Na
realidade, as fórmulas acima são derivadas da mesma
equação, onde foram explicitadas as incógnitas
a calcular.
Exemplo:
Calcular
a vazão de propano líquido a 20ºC através
de uma válvula que apresenta o CV
= 5, para um DP de 2 psi.
(1)
QG
= CV
(DP / D)1/2 = 5 (2 / 0,499)1/2 = 10,0
GPM = 37,9 L/min
Cabe
observar que a única propriedade do líquido considerada
nas fórmulas é a densidade relativa à água.
Porém a viscosidade pode afetar a precisão dos cálculos.
Entretanto, uma razoável precisão pode ser obtida
das fórmulas quando a viscosidade dos líquidos não
diferir muito da viscosidade da água.
Vazão
de Gases
As
fórmulas para cálculo da vazão de gases em
válvulas são diferentes das usadas no cálculo
de líquidos devido, basicamente, à propriedade da
compressibilidade dos gases.
Embora
o "CV"
tenha sido definido tomando-se por base a vazão de água,
ele também é usado para o cálculo com gases.
Para
isso, o "Fluid Controls Institute" recomenda o uso das
fórmulas seguintes:
Aplicável quando P2
>
0,53 P1
:
(4) QF
= 16,05 . CV
[ ( P12 - P22 ) / ( d . TR
) ] 1/2
Aplicável quando P2
= ou < 0,53 P1
:
(5) QF
= 13,61 . CV
. P1
[ 1 / (d . TR)
] 1/2
Aplicável quando P2
> 0,53 P1
:
(6) CV
= 0,06231 . QF
[ (d . TR)
/ ( P12 - P22 ) ] 1/2
Aplicável quando P2
= ou < 0,53 P1
:
(7) CV
= 0,07348 . (QF
/ P1
) . [ ( d . TR
) ] 1/2
Onde:
P1
: pressão absoluta do gás na entrada da válvula
(psia)
P2
: pressão absoluta do gás na saída da válvula
(psia)
QF
: vazão em SCFM
d : densidade do gás na pressão atmosférica
e na temperatura de trabalho em relação à densidade
do ar na pressão atmosférica e na temperatura de 70ºF
(21,1ºC)
TR
: temperatura absoluta do gás em Rankine (ºF + 460)
Exemplo:
Calcular
o CV
mínimo necessário para um regulador de pressão
atender à vazão de 250 m³/hora de metano a 300
K. As pressões manométricas do metano são:
a)
na entrada do regulador: 1,5 bar;
b) na saída do regulador: 0,2 bar.
P1
manométrica = 1,5 bar = 1,5 x 14,5 psig = 21,75 psig
P1
absoluta = 21,75 + 14,7 = 36,45 psia
P2
manométrica = 0,2 bar = 0,2 x 14,5 psig = 2,90 psig
P2
absoluta = 2,90 + 14,7 = 17,60 psia
P2
/ P1
= 17,60 / 36,45 = 0,48
P2
= 0,48 P1
Então,
P2
= ou < 0,53 P1
, portanto deverá ser usada a fórmula (7):
(7) CV
= 0,07348 . (QF
/ P1
) . [ ( d . TR
) ] 1/2
Onde:
QF
= 250 m³/h a 300 K = 240 m³/h a 15,6ºC
QF
= 240 x 35,315 / 60 = 141,26 SCFM
densidade do metano na pressão atmosférica a 300 K
(26,85ºC): 0,652
densidade do ar a 70ºF (21,1ºC): 1,203
d = 0,652 / 1,203 = 0,542
TR
= 300 K = 26,85ºC = 80,33ºF = 540,33ºR
(7)
CV
= 0,07348 . ( 141,26 / 36,45 ) . [ ( 0,542 . 540,33 ) ] 1/2
(7) CV
= 4,873
Conclusões
A
determinação do coeficiente de vazão ("CV")
adequado permite assegurar a vazão máxima através
das válvulas selecionadas, de acordo com as premissas de
projeto do sistema.
No
caso da especificação de válvulas para controle
de fluxo, a observação do coeficiente de vazão
é muito mais crítica. Se esse coeficiente fosse muito
maior do que o necessário a regulagem seria difícil
pois, uma pequena abertura da válvula já permitiria
a passagem do fluxo desejado, dificultando a sensibilidade da regulagem.
Caso o "CV"
da válvula seja inferior ao valor mínimo necessário,
não seria possível atingir a vazão desejada
nas condições estipuladas, mesmo com a válvula
totalmente aberta. A situação ideal seria aquela em
que o "CV"
da válvula exigisse sua abertura total na condição
de fluxo máximo. Como esta situação ideal é
muito difícil de ser encontrada, na prática costuma-se
escolher uma válvula cujo "CV"
esteja um pouco acima da necessidade, onde a vazão máxima
seria obtida quando a abertura da válvula estiver na faixa
de 80 a 100%.
Por
esta razão, freqüentemente as válvulas de controle
apresentam um diâmetro nominal inferior ao diâmetro
da tubulação na qual está instalada ou, então,
possuem um orifício de passagem reduzido.
Agora
o gás natural liqüefeito (GNL) já não
é mais uma possibilidade, mas sim uma realidade. A partir
de 2005, quando a planta de liqüefação da joint-venture
entre a Petrobrás e a White Martins estiver concluída,
uma nova era do gás no Brasil terá início:
a era do gás natural criogênico.
A
capacidade informada da citada planta seria de 380.000 m³ de
gás natural por dia, o que corresponde a 9.000 ton de GLP
por mês.
Muitos
aspectos serão abordados nesta mudança de panorama,
tanto na área comercial como na área técnica.
O mercado mais visado continuará sendo o do GLP, não
mais estando a área de atuação do gás
natural limitada às proximidades dos gasodutos, mas sim às
distâncias da planta de liqüefação conjugadas
com a qualidade das estradas. As distribuidoras de GLP deverão,
portanto, rever todas as suas estratégias a curto, médio
e longo prazos.
Além
disso, o GNL poderá competir também com o GNC e outros
combustíveis. Caso a planta seja instalada no estado de São
Paulo, sua área de mercado poderia da mesma forma atingir
estados mais próximos como Paraná, Minas Gerais, Goiás
e Rio de Janeiro.
Na
área técnica, a disponibilidade de GNL possibilitará
mudar profundamente conceitos como, por exemplo, a compressão
do gás no estado gasoso a altas pressões, tanto para
uso veicular como para armazenagem e transporte o gasoduto
virtual atualmente em desenvolvimento.
A
compressão do gás criogênico pode ser feita
a partir de uma pequena bomba de deslocamento positivo, resultando
numa grande economia de capital e num baixo consumo de energia elétrica.
Enquanto um compressor convencional consome 100 unidades de energia,
a bomba criogênica despende apenas de 10 a 15 unidades de
energia para realizar o mesmo trabalho de compressão. Além
disso, o custo de manutenção das bombas é muito
mais baixo que o dos compressores, podendo ser estimada uma economia
da ordem de 85%. Mesmo considerando o investimento global na estação
de compressão a partir de GNL, incluindo o tanque criogênico,
ainda assim a redução do custo de capital situa-se
na faixa de 15 a 70%, de acordo com a configuração
eleita.
Além
das vantagens citadas, a disponibilidade do GNL possibilita desenvolver
estratégias como a viabilização de futuros
ramais de gasoduto, com a formação antecipada da matriz
de consumo, seja uma cidade ou um distrito industrial, onde seria
instalada a central criogênica. E, olhando para o futuro,
o GNL possibilitaria também a instalação de
centrais para peak shaving em gasodutos, evitando ou retardando
investimentos.
Este
é um assunto que gera sempre muita polêmica: o condomínio
compra o GLP pagando o valor em quilogramas e cobra do condômino
com base na leitura do medidor em metros cúbicos.
Em
primeiro lugar, os abastecimentos de gás não correspondem
exatamente aos totais dos consumos indicados nas leituras dos medidores,
pois são fatos que ocorrem em ocasiões não
simultâneas.
Por
outro lado, a densidade do GLP usada na conversão de volume
para massa pode variar significativamente em função
da composição do gás e da temperatura ambiente.
A FISPQ Ficha de Informação de Segurança
de Produto Químico do GLP, emitida pela Petrobrás
em 18/03/2002, informa que a composição do gás
pode variar desde 60% de propano + 40% de butano até 40%
de propano + 60% de butano. Além disso, a composição
do gás apresenta variações durante seu consumo
quando sua vaporização é natural, entre abastecimentos,
devido a um fenômeno do tipo destilação fracionada,
tornando sua densidade mais elevada. As variações
de pressão nos medidores são pequenas, não
causando erros significativos na medição. Vejamos
como se comportariam as densidades de diferentes composições
do GLP em função das temperaturas:
|
Gás
Liqüefeito do Petróleo
GLP
|
|
Composições
V/V (%)
|
Densidades
- fase vapor - 1 atm ab (kg/m³)
|
|
Propano
|
Butano
|
a
0ºC
|
a
15,6ºC
|
a
30ºC
|
|
40
|
60
|
2,42
|
2,27
|
2,15
|
|
60
|
40
|
2,28
|
2,14
|
2,03
|
| Fonte:
JENKIN, D.B., The Properties of Liquefied Petroleum Gases -
Report No. 192/62M - Shell, Londres, 1962 |
Portanto,
é fácil ver que a faixa de variações
das densidades é ampla, da ordem de 20% entre seus extremos.
Se levarmos em conta o citado fenômeno da destilação
ocorrendo em um GLP inicialmente com 60% de butano, essa faixa ficaria
ainda mais ampla pois a densidade seria superior a 2,42 kg/m³
na temperatura de 0ºC e assim respectivamente para outras condições.
Caso
o condomínio opte por um fator de conversão inferior
ao fator médio real em determinado período, o montante
arrecadado não seria suficiente para repor o gás consumido.
Portanto, recomenda-se o emprego de uma densidade superior ao valor
médio esperado, de forma que o condomínio não
sofra com a insuficiência de verba, gerando um pequeno superávit.
Na região sudeste, é comum a utilização
de densidades na faixa de 2,35 a 2,40 kg/m³.
É
claro que seria possível monitorar continuamente todas essas
variáveis de forma a minimizar os erros. Mas seriam necessários
investimentos cujos custos não seriam certamente recompensados
pelos benefícios.
|